
Nota do Autor
O estudante busca. O professor transmite. Nesse contexto, o conhecimento segue como um objeto de troca e adquire o status de mercadoria. Estatísticas e nomenclaturas então circulam por entre conversas e discussões, passando a representar um algo qualquer a ser dominado.
Com esta motivação, o homem criou sistemas mentais e físicos.
Sedento por conhecimento, o homem segue buscando novas fontes de informação. Como a quantidade de informação disponível é limitada, o observador se vê obrigado a refletir sobre os paradigmas previamente aplicados. Observações do mundo externo (i.e. o material) então estabelecem a incerteza empírica: uma cegueira compulsória procedente da mistura de memorizações parciais e emoções autoafirmativas.
Diante dessa insegurança, um outro tipo de conhecimento brota entre os homens que se permitem sentir a Luz. Ao invés de uma busca, este novo conhecimento se revela através de um processo reflexivo. Simplesmente, a alma já possui conclusões e reconhecimentos dessa verdade absoluta – o sábio sempre tenta entender a si mesmo, o maior de todos os mistérios.
Se a compreensão reside no interior de uma pessoa, por que estamos tão incertos quanto a este conhecimento vindo de nossas intuições (i.e. a luz natural)? A mente escolhe o que é criado por ela ou por outras mentes, enquanto a intuição inevitavelmente o que é criado por Deus. A resposta traz outra pergunta. Qual casa uma pessoa deve escolher para se proteger: uma com previsões e arbitrariedades humanas, ou uma com propósitos e projeções Divinas? Ao confiar em sua intuição e escolher a casa projetada por Ele, a pessoa simplesmente passa a perceber uma série de verdades já escritas na própria alma. Demonstrações científicas perdem todo o propósito nesse instante... e uma autoconfiança irresoluta se instala.
‘A Oração do Ateu’ possui como objetivo despertar este autoconhecimento. Para isso, precisei admitir que, sendo todo o conhecimento inato, não poderia criar algo novo. No entanto, existia a possibilidade de unir as congruências que marcam a história do pensamento humano. Portanto, o leitor encontrará uma combinação de argumentos filosóficos tirados de Platão até Kierkegaard juntos às citações Bíblicas.
Reconheço as aversões e preconceitos que o leitor possa ter diante de palavras como ‘Deus’ e a ‘Bíblia’. Confundimos edificações, estátuas, e cerimônias com o propósito de vida concebido por Ele a cada um de nós. Definições do termo religião (como uma instituição) poluíram os discursos filosóficos sobre Deus. As Escrituras e todos os filósofos e santos espalham uma regra simples e objetiva: encontre o seu modo de ser de acordo com as Leis Dele. Só isso. Se o leitor conseguir colocar de lado as guerras em casa e na televisão, e simplesmente se deixar levar pelas verdades que brotam dentro de nós mesmos, um sentimento de satisfação emergirá ao fim do livro. Não por mérito meu, mas porque o conhecimento inato é igual para todos. O filho de Deus deve sempre admirar a Criação e suas Leis – nada mais, já que a harmonia é consequência desse equilíbrio entre o Criador e a Criação, e está sempre em ordem com os mandamentos.
Por já ter experimentado o tom repetitivo de ensaios filosóficos, decidi expor o tema da Trindade através de uma estória. Auxiliado pela ficção, o leitor aprende espontaneamente. O livro se passa no Rio de Janeiro porque esta cidade representa um acúmulo de energia que se traduz em suas montanhas arredondadas, vegetação abundante e um ar de peculiaridade em tudo e todos. Imersa sob a sombra da Pedra da Gávea, no primeiro capítulo, a Mitologia Grega serve de inspiração – uma mera ferramenta retórica que descreve a origem da Trindade. Nos onze seguintes, diálogos entre um professor e aluna explicam, enquanto as decisões de três protagonistas exemplificam cada um dos terços da vida.
Talvez este livro não seja para o hoje de alguns.
Com certeza, para o amanhã de todos.
Oração do Ateu - Uma Expressão de Liberdade!
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